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Resenha | “A Guerra que Salvou a Minha Vida”: um novo olhar sobre a Segunda Guerra Mundial

A maioria das pessoas costuma ter um gênero, ou pelo menos um assunto, de mais interesse na hora da leitura. Um dos assuntos que mais me despertam interesse é justamente a Segunda Guerra Mundial. Esse evento histórico foi tão horrendo e impactante – tanto que muitas vezes, principalmente com os anos que se passam, parece absurdo e surreal – que muitos autores se inspiraram em fatos reais do período para criar uma nova história. Assim, o fez Kimberly  Brubaker Bradley com a história de Ada em A Guerra que Salvou a Minha Vida.

Um relato de recomeço

Ada é uma menina de cerca de dez anos que vive em Londres ao final da década de 1930 com seu irmão Jamie, de cerca de seis anos, e sua mãe. Vivendo em uma condição financeira baixa, Ada poderia ser uma criança normal se não tivesse um pequeno detalhe diferente: ela nasceu com o pé torto. Sua mãe, horrorizada pelo “defeito” da filha, a trancafia e a proíbe de sair de casa, além de a obrigar a realizar tarefas domésticas e a cuidar de seu irmão. O único contato com o mundo lá fora que a menina possui é uma janela pela qual acena para os seus vizinhos todos os dias durante os intervalos de suas tarefas, as quais realiza rastejando pela casa.

Quando ouve por alto que crianças estão sendo evacuadas de Londres para o interior por medo da cidade ser bombardeada, Ada decide fugir de casa com o irmão e tentar uma vida nova em outro lugar. A jornada até Kent não é nada fácil para ela que mal sabia andar – e mesmo o pouco que sabia requiria muito esforço e muita dor – e sua chegada e adaptação vão pedir muita dedicação da pequena. Sua nova guardiã, Susan Smith, é um pouco dura e solitária, mas faz o seu melhor para que as crianças possam recomeçar e se fortalecer. Ali, naquela pequena propriedade, Ada e Jamie finalmente começam a aprender sobre a vida e, principalmente, sobre como vivê-la sem somente sobreviver.

A Guerra que Salvou a Minha Vida

A Guerra que Salvou a Minha Vida é para guardar no coração

Seguir essa história pelos olhos de Ada assegura alguns pontos interessantes do livro. O primeiro deles, é claro, encarar uma situação tão grave quanto uma guerra pelos olhos de uma criança, especialmente uma que até então não sabia o que era um lençol. O aprendizado das pequenas coisas do mundo tornam a trajetória de Ada mais profunda e mais interessante, deixando a nós, leitores, mais simpáticos para com a personagem. O segundo ponto é justamente relacionado a isso: a guerra não acontece só entre os países. A protagonista trava uma batalha interna que debate sobre sua capacidade de confiança e de criar um novo lar. E, por último, garante apesar da temática forte um fluxo de leitura leve e cativante – ela sabe deixar uns cliffhangers entre capítulos que vou te contar, hein! #amei

Como disse, histórias ambientadas na Segunda Guerra Mundial me chamam a atenção. Por isso, já vi e li muitas delas, mas eu percebo que elas tendem a cair num padrão: ou elas falam sobre os Estados Unidos entrando na Guerra ou elas falam sobre o Holocausto. Ambos são fatos importantíssimos, especialmente o segundo que é ainda mais trágico, assustador e perturbador – e ainda inacreditável que tamanha dor tenha sido causada a um povo -, mas esse outro lado, mais localizado e diferente, foi muito interessante de descobrir e acompanhar. A evacuação das crianças em Londres era até então um fato desconhecido para mim e pode ser para muitas outras pessoas também. O primeiro contato com essa informação através de uma leitura tão boa quanto esta pode ser um meio de entrada para até mesmo estudar sobre isso. Fica a dica. 😉

A Guerra que Salvou Minha Vida possui vários momentos ambíguos graças a falta de capacidade da narradora de entender determinadas situações. Algumas nós entendemos de cara, mesmo dentro da confusão de Ada, outras nem tanto e deixam as entrelinhas falarem por elas, como, por exemplo, a história de Becky, a amiga e provável companheira de Susan. Graças a isso, é muito bonito acompanhar o crescimento de Ada e ver o quanto ela ganhou desde a saída de casa. E, mais ainda, o quanto ela fez outras pessoas ganharem sem ao menos perceber.

A Guerra que Salvou a Minha Vida


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Apaixonada por música, cinema, moda e literatura, história mundial e andar de bicicleta. Sonha em ter muitos carimbos em seu passaporte.

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